00:42:44#6 | A BELEZA
Nesta viagem sensorial, somos convidados a redescobrir a beleza em suas múltiplas dimensões – estética, espiritual e humana. Wallace Leal, em diálogo com suas memórias, revela como o encanto pelos livros, pela poesia e pelas artes plásticas foi a força vital que o guiou desde a infância, nutrindo uma sensibilidade rara.
Crescer na casa de Rafael Medina e dona Ninira foi conviver diariamente com estantes repletas de volumes, corredores perfumados pelos clássicos de Balzac e Brontë, e móveis históricos vindos de antiquários de Petrópolis. Wallace não acumulava objetos: organizava um verdadeiro santuário do saber, onde cada obra se tornava portal para um novo mundo.
Nas palavras de quem o conheceu, a biblioteca improvisada na antiga garagem era seu retiro e laboratório criativo. Ali, entre pilhas de livros e desenhos, nasceu sua compreensão de que a beleza ultrapassa o campo do mero agrado visual: ela é instrumento de elevação da consciência. O refinamento de seus gostos – de Seraphita, de Balzac, ao universo sombrio de Emily Brontë em O Morro dos Ventos Uivantes – era celebrado não como esnobismo, mas como expressão de um ideal maior.
É só na reta final que descobrimos quem orquestrou essa linguagem audiovisual: os diretores Márcia Tamia e Zé Henrique Martiniano, que mesclam reconstituições dramáticas e depoimentos íntimos para mostrar como Wallace traduziu em poesia (Balada a Emily Brontë) e prosa as nuances da fé espírita. A “Balada” – com seus versos sobre charnecas enevoadas e amores que desafiam a morte – não fala apenas de um amor literário, mas da própria alma de um homem que viveu como artista total.
O episódio salienta ainda o elo entre arte e doutrina: a doutrina espírita, ao reconhecer o valor do belo, amplia nossa compreensão sobre o papel da criação na evolução moral. Como disse León Denis, “o culto harmonioso do bem e do belo” é a meta suprema da existência, e Wallace, seguindo essa trilha, fez da estética um convite ao sublime.
Por fim, somos chamados a refletir: o que conserva beleza em nossa vida? Qual a arte que nos transforma hoje? Através do legado de Wallace Leal, aprendemos que a busca pelo belo não é vaidade, mas um caminho de autoconhecimento e de solidariedade. Assista ao episódio completo e descubra como poderosas epifanias podem surgir ao folhear uma velha encadernação ou ao contemplar um verso inspirado.
Capítulos:
00:00:05 – Reflexões sobre a beleza e a sabedoria da vida
00:00:51 – A amizade entre papai e Wallace: um intelectual admirável
00:02:40 – As memórias de uma infância com referências culturais
00:06:45 – A descoberta de móveis e a ligação com o passado
00:09:00 – Revisitação do texto sobre Araraquara e sua história
00:11:35 – A influência da literatura e dos escritores na vida de Wallace
00:15:30 – A relação entre arte, espiritualidade e o movimento espírita
00:20:12 – A conexão entre arte, virtude e expressão espiritual
00:23:45 – O legado de Wallace no contexto espírita e cultural
00:27:44 – A admiração por escritores clássicos e influências literárias
00:31:35 – Reflexões sobre a vida das irmãs Brontë e suas contribuições
00:36:12 – Poemas de amor e angústia de Wallace
00:41:20 – A relação íntima de Wallace com a espiritualidade e a arte